A sociedade do espectaculo.

Quem ouvir o Obama no discurso do estado da união dirá que o homem vai fazer tudo, vai revolucionar o mundo com a sua ideologia da luta de classes, vai dar a todos, taxar com justiça, subsidiar o necessario, e apela ao congresso, apela ao cinismo, apela ao acordo consigo mesmo que é  ele, as suas ideias, e pede bills--- na verdade, o que faz é bem diferente: não faz mais do que procurar o discurso espectacular, olhando para a esquerda, para a direita, e para a frente, para os espectadores---do espectaculo.

...

Brilhas de tão naturalmente bela,
Por todos os teus traços, meu reflexo,
Tremido, escondido pela chama duma vela.
Algo tão simples, agora complexo...

Somos um só e, juntos, completos.
O mundo para ti deixa de me existir,
E talvez esse teu lindo sorriso, esse elixir,
Seja água benta para os meus demónios.

A pureza duma emoção profunda,
Inintencionalista, que me faz criar,
E espontâneamente, redefino olhar
Redefino o saber estar, o libertar...
Talvez tu, uma luz em minha alma imunda,
Talvez das estrelas sejas oriunda.

O contemporãneo ( 3ª parte)



A morte de Deus, a realidade do Deus morto significa inevitavelmente a perda do valor moral religioso. As noções do Bem e do Mal perdem o seu apoio fundamental uma vez que Deus não mais existe como ideal dessas noções e valorizações consequentes. Uma pessoa já não pode dizer que acredita ou pratica o Bem em função de Deus ou da ideia de Deus, porque esse Deus já não está lá no topo da caracterização dos valores e das virtudes humanas. O Bem e o Mal deixam de poder ser avaliados em função da recompensa ou do castigo divino.


Mas então porque é que hei-de fazer o Bem e não o Mal, uma vez que Deus não existe? É neste ponto que a humanidade cai no niilismo, na perda total e absoluta da obrigação super-humana, dos seus condicionamentos e condicionalismos, e a noção e ideia de libertação e liberdade total e absoluta causa as mais diversas contradições sentimentalistas: estou livre, finalmente livre, a perspectiva é livre, total e absoluta, o horizonte infinito de possibilidades, a alegria é incomensurável, desmedida, incontrolável, a sensação de embriagues do espírito livre começa a fazer efeito, a precipitação do primeiro passo é acompanhada da vontade de olhar para trás, ah como tudo era mais simples no passado, como tudo era mais fácil antigamente, como tudo fazia sentido ainda há pouco… para onde irei, o que farei comigo mesmo e com este peso descomunal deste deus morto… ah não, não quero isto, não quero esta verdade, esta realidade, este medo aterrorizante da solidão universal, do sem-sentido deste caminho, do fardo de mim mesmo…


Neste ponto do niilismo uns voltam á mentira voluntariamente, envergonhados da sua fraqueza, da sua covardia, e procuram com todas as forças que têm o profundo esquecimento e o profundo cansaço; outros trasvestem o Deus morto com as mais variadas vestes: dizem que acreditam num poder superior, em algo superior á condição humana, algo impossível de ser definido, uma força, uma energia qualquer… o objectivo é fingir, ocultar para si e para os outros a sua condição desesperada, de terror psicológico infundido pela visão do deus morto, pela perda do suporte moral da sua vida, da sua actividade, das suas acções, das suas virtudes, do seu juízo e julgamento.
Outros os há também que preferem a continuação da sua vida como se não soubessem mais do que realmente sabem. A vida é aquilo que decidiram aceitar, o deus morto continua como Deus vivo, e não querem saber de mais nada. Este tipo de crente é em regra prontamente submisso a todo e qualquer mandamento do poder governante, desde que seja secundado pelo seu padre de freguesia. A resignação, o sofrimento voluntário, o sacrifício pessoal em função da palavra do seu protector religioso é algo que não merece estranheza, é mesmo habito na vida do praticante, pois misteriosos são os caminhos de Deus, não vale a pena pensar muito sobre o assunto, deve-se confiar na esperteza do padreco,ou no primeiro imediato, o seu equivalente mediático ou espectacular - o veículo espectacular da moral super-humana, o deus espectacular - deus comunicado pelo poder super-humano, deus dentro do próprio espectáculo anuncia o poder de deus...- uma mercadoria espectacular!


Esta grande massa informe que não sabe o que fazer da sua vida, que prefere voluntariamente a sua exposição ao ridículo em nome de outrem que lhe seja superior, onde essa superioridade é na verdade concedida pelo ridículo em questão, constitui ainda a maioria da massa votante do regime democrático, e é por isso que ainda vivemos em democracia.
Essa massa informe sem espinha dorsal, que se verga voluntariamente às maiores adversidades desde que sejam impostas de cima, pelos poderes super-humanos, continuará a permitir que democracia seja ainda possível, porque é essa massa que mais interessa a esses poderes super-humanos contemporâneos, na medida que lhes permite viver a vida á grande e á francesa.


Todos sabem das abissais diferenças das condições económicas e sociais dos cidadãos, e de como essas diferenças se constituem realidade: corrupção, trafico de influencias, compadrio, fraude, numa palavra -: crime.
Todos sabem mas preferem acreditar noutra história: no mérito, na educação, no conhecimento, no saber, no trabalho…


O engano e a mentira voluntária que essa massa se dá a si mesma chega a atingir tal grau de demência, psicose, que de quando em quando põem mesmo em pratica essa demência esquisofrénica: chegam a frequentar cursos de mentalização para a conquista do poder e da riqueza; compram livros que ensinam a poupar o que não têm para poupar e ainda a converter essa poupança em fortunas; pagam cursos para poderem dizer e gritar com os seus irmãos da desgraça mental que afinal são ricos, são milionários, e que o são porque dizem e gritam que são ricos e milionários…


A ilusão, a escolha voluntária da ilusão em detrimento da verdade e da liberdade pessoal é a consequência inevitável de todo o embuste que essa massa se propõe e promete a si mesma só para não ter que se ver a si mesmo como realmente é: todos os enfeites que este mundo contemporâneo oferece ainda são poucos para esconder completamente esse horror do espelho, do reflexo de si mesmo. E em boa verdade, quando se admite que o valor próprio é zero, tudo o demais aparecerá como valor de apreço e preço superior a si mesmo. E neste ponto da história já estamos em plena realização do triunfo do capitalismo democrático.

O contemporãneo ( 2ª parte)

Temos quatro pensamentos dominantes no nosso palco mundial: dois científicos e dois religiosos. A ciência oferece-nos o caos e a ordem, e a religião o outro mundo e o eterno retorno.
Na verdade, muitos completam o seu pensamento científico com o recurso á religião, de modo a obterem uma sensação de entendimento completo. 


O conhecimento limitado que a ciência nos oferece, quer seja com o seu caos ou a sua ordem das coisas, é sistematizado com uma oferenda conjunta dessas duas correntes de pensamento: o fim do Homem, o fim da nossa relevância existencial. Muitas pessoas não aceitam essa inevitabilidade comum a todos os seres vivos, que a morte seja realmente o fim e que tudo na verdade não signifique nada. Mas a ciência do caos e da ordem entrelaçam-se numa síntese única: o universo e tudo o que existe no universo foi nada e voltará a ser nada. O nosso sol, a nossa terra, o nosso sistema solar, tudo quanto vamos descobrindo com o desenvolvimento tecnológico apenas mostra a demostração dessa premissa: a percepção final é o nada. A luz que vemos hoje é uma luz extinta alhures no tempo e no espaço.


Esta ideia de nada absoluto resultante tanto da ordem como do caos é demasiado violenta para alguns dos filhos do deus morto, da religião obsoleta, mas é estímulo suficiente para os impulsionar para a espécie de conforto mortal que a moral religiosa oferece aos seus súbditos.


O caos será identificado como o mal, e a ordem identificada como o bem. O bem, a sua prática, e a sua consequência, a ordem, resultará na salvação do todo, ou pelo menos do crente. O caos, a desordem, o mal, resultará na perda e na destruição do individuo, talvez mesmo do mundo e do universo, mas isso será justo castigo dos impios, dos infiéis, dos descrentes de Deus e do seu poder, da sua recompensa celestial, o paraíso e a vida eterna.


Budismo e cristianismo são as grandes religiões desses pensamentos religiosos, e não é por acaso que o judaísmo e o islamismo têm ganho destaque neste mundo de desenvolvimento científico e tecnológico. As teorias da ordem e do caos científico são ainda ideais demasiado verdadeiros para aqueles que viveram de acordo com os ditames do poder religioso, para aqueles que não suportam a ideia da liberdade do deus morto, o que significa e implica a realização dessa ideia na sua vida.


Certos hábitos, certo modo de encarar determinadas situações traduzem muito do que a sua vida representa para si e para os outros. A libertação do deus morto acarretaria mudanças na sua vida, confrontos com pessoas e entidades-: em boa verdade, em traços simples e directos, acarretaria maior interesse pela sua própria vida, maior responsabilidade e responsabilização pelo estado da sua própria vida-: exigiria acerto de contas, tomada de satisfações, julgamentos categóricos sobre muitos aspectos e condicionalismos da sua vida pessoal.


Mas porquê fazer alguma coisa quando se pode não fazer nada? Porquê fazer alguma coisa se a recompensa é nada, apenas tribulações, preocupações, chatices, problemas? É por aqui que a religião se vai mantendo e permanecendo na vida pessoal e social quando tudo o que basta para coloca-la no seu devido lugar é a vontade do ser humano em querer limpar e arrumar a sua casa.


É neste lamaçal, neste palco de inúmeras contradições, medos, idiotices, superstições, vontades contrárias, que a tolerância é invocada como valor supremo assim como o respeito pela liberdade religiosa de pensamento. A estupidez voluntária, a covardia voluntária, a preguiça voluntária, a desresponsabilização pessoal voluntária é invocada como valor supremo da humanidade e da condição humana, é mesmo chamada de natureza humana.
E é neste lamaçal, neste pântano de valores mascarados, falsificados, de hipocrisia voluntária, demente e desesperada que se ergue a filosofia dominante do nosso tempo, a filosofia da economia social que em política tem o nome de capitalismo.

O contemporâneo ( 1ª parte)

Podemos resumir a filosofia do pensamento humano a quatro categorias de pensadores ou pensamentos filosóficos ideais.


Estes quatro tipos de pensamentos emparelham cada um com um outro, o seu contrário, a sua contradição de plano. Dois situam o Homem no centro do universo, os outros dois relativizam sobre a posição do homem na ignorância Universal.


Curiosamente, ou não, são as religiões, o pensamento religioso que sustem maior fé na subsistência do valor do ser humano, na sua sobrevivência e pertença a um eterno universo humano.


A filosofia do valor da vida do ser humano é tanto positiva como negativa. A religiosidade do valor do ser humano é também afirmativa assim como negativa na consciência do ser que é e compreende o seu ser na ideia de um ideal divino, em um Deus que prometeu algo, bom e mau.


Simplificando um pouco as coisas, o pensamento humano tende a organizar-se deste modo: o ser humano participa de todas as coisas no universo, e como tal acompanha e acompanhará sempre o universo no sentido da vida, do que deve significar a vida, viver. Viver é aprender e ensinar, ámen;
O ser humano é um acaso neste caos universal que é este universo que pensamos conhecer, entender e compreender. A irrelevância de um grão de areia. A indiferença de um bater de asas. Tudo é nada e tudo é vão. O esquecimento é bênção. O entretenimento é a salvação;


O ser humano acredita ter sido criado por Deus, para parecer Deus. Caso contrário, caso desobedeça a esse simples condicionamento divino, a modelagem á imagem de Deus, o castigo não se fará tardar. E Deus escreve direito por linhas tortas. Tudo é valido, lícito de veracidade interpretativa, para mais se teatralizada pelo representante de Deus na Terra… aqui a fábula é demasiado evidente a qualquer crente, e mesmo assim a negação é obra, sem dúvida.
Tal estado de loucura escatológica do crente, encorajada pelo sacerdote sempre que lhe convir, sempre que lhe parecer favorável, e, com a mesma facilidade, a exortação do exactamente contrário - apaziguar, moderar os comentários, a exaltação do credo e do ídolo, - tudo vale neste estado de coisas. Algo de enorme, algo descomunal deve existir, estar no outro prato da balança de modo a legitimar tal horizonte de eventos. A promessa da vida eterna, da vida além da morte é a recompensa. A vida religiosa é na verdade uma moeda de troca, o seu custo é Deus. Assim sendo, o inverso da recompensa é o castigo, o inferno é o tormento da alma humana para todo o sempre, sofrimento e dor eterna…


Religião e política servem o mesmo princípio: modelar e formatar um tipo de sociedade, um tipo de organização social. Verdade seja dita, as sociedades, as comunidades, a comunhão entre os seres humanos resulta numa entidade independente do poder político e do poder religioso, embora possa ser representativa desses poderes super-humanos.


Em boa verdade, esses poderes super-humanos procuram uma representação por si mesmas, para além da sociedade que os suporta. Pretende orientar essa comunidade, pretende retirar o poder que emana dos cidadãos, libertando-os assim da responsabilidade de pensar por si mesmos o destino colectivo que os contém, que representam enquanto indivíduos que trabalham em prol de uma economia de subsistência ou sobrevivência.


A política e a religião, tais poderes super-humanos pretendem carregar o fardo das decisões desse destino humano, com todas as causas e consequências que o fado do destino simboliza no ideário da mente humana. O fado, o destino, perspectivas que representam um todo, e é justamente a visão de um todo que esses poderes super-humanos querem que os cidadãos acreditem que esses poderes conseguem manifestar: a ideia de tudo o que existe na sociedade, a ideia do propósito e do sentido de tudo quanto se faz na sociedade para o melhor proveito do colectivo social.


Ao longo do tempo, política e religião compreenderam que a sua sobrevivência estaria melhor garantida se em vez de serem inimigos fossem aliados, quer dizer, complementares. A religião cristã procurou o poder sobre o poder político na medida da conservação da sociedade como ela existe, a sua pretensão é revolucionaria apenas no plano do poder super-humano, Deus acima de César, deixando os cidadãos entregues á resignação da vida sofrida em função da recompensa divina ou dos céus.


Durante largo período de tempo o poder político, a monarquia, a legitimação do Rei era efectuada em nome da promessa da realização da vontade de Deus, ou seja, da vontade da Igreja. Nesse período de tempo a enfâse social não é determinada pelas condições de produção, o trabalho é escravo, logo não há matéria para debate, o senhor manda e o escravo obedece, caso contrário está em falta para com a vontade… a vontade de quem?
A sociedade é marcada pela moral dos costumes, pela imposição da vontade do poder, a vontade de Deus, na Terra como nos céus, e o seu Reino não terá fim. A condição do Eterno tem aqui um papel categórico, o carácter imutável das coisas deve ser uma realidade, a única realidade possível, e tudo o demais combatido e destruído.
O que é hoje, assim como ontem será amanhã. A facilidade e a simplicidade são os atributos favoráveis dessa condição de vida, isso e o Temor do desafio, da dúvida, da infidelidade á crença do fim dos tempos e do categórico julgamento final de Cristo.
O tempo da Cristandade é uma história sem história, tirando as guerras, a miséria, as epidemias, e a sua decadência final, a história da inquisição. A decadência ocorre quando a visão de fundo que o cristianismo apresenta já não convence o movimento das ideias acerca do universo e do destino humano: o universo e o destino humano estão para além da compreensão do Homem e até de Deus.
Em boa verdade o principio activo, a força motriz do movimento da ideia para além de Deus resulta da acumulação do sentimento de injustiça que vem acontecendo desde tempos imemoriais. A injustiça é algo extraordinariamente humano, a injustiça vem tornando o ser humano num ser intolerante no que toca ao sentimento de injustiça.


As grandes revoluções pela libertação do espírito humano do fatalismo religioso são em grande medida inconscientes pelos seus actores analfabetos nos seus fundamentos elementares, a burguesia necessitava da tomada do poder contra o velho modelo social aristocrático e religioso: a descoberta de novos mundos implicava a possibilidade de novas propriedades, novos proprietários: a concorrência começa a tomar conta do Mundo.


A libertação das grilhetas do imutável e a azafama produzida pelos movimentos mundiais de trocas mercantis, com toda a crueza e nudez inerentes a qualquer coisa nova que se quer afirmar a qualquer custo, despoleta a vinda doutro grande sentimento, o sentimento de que vale tudo, de que tudo é possível desde que se queira e que se tenha a esperteza suficiente para fazer vingar a sua avante sobre outrem.


Estes são os dois grandes e decisivos sentimentos que farão a história que chegou até nós: o sentimento da injustiça universal, e o sentimento da totalidade universal.
Em política esses sentimentos traduziram-se em esquerda e direita: pela injustiça tivermos o socialismo, o anarquismo e o comunismo; pela direita temos o capitalismo e o conservadorismo serôdio religioso.

Livros

Livros, eis o titulo, bastante elucidativo, directo, objectivo, significativo, representante de um estado, é esse tambem o caso.


Agora que a curiosidade está aguçada, o tempo é para conversas intelectuais pessoais, o sucesso dos autores depende desse evento aqui e agora percebido, por alguem, por todos.

Deixo uma lista apenas por pura conveniência:
«100 anos de solidão - Gabriel Garcia Marquez
bacon_novum_organum
contos_proibidos-memorias_de_um_ps_desconhecido-sem_anexos-sem_fotos1
george_orwell_1984
lei007-2009
manifesto ed avante 97
nicolas_walter_do_anarquismo
nietzsche_alem_do_bem_e_do_mal
nietzsche_assim_falou_zaratustra
nietzsche_vontade_de_potencia
Phil. Trans.-1671-Newton-3075-87
quixote
saramago_a_caverna
saramago_a_jangada_de_pedra
saramago_ensaio_sobre_a_lucidez
saramago_folhas_politicas
thomas_morus_utopia
voltaire_dicionario_filosofico»

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Assim vai o poder da democracia portuguesa…

O poder da democracia emana da possibilidade de um cidadão elevar a sua voz e bradar sobre os demais interessados na sua retórica, na sua vontade política. Caminhos e soluções. Obras e afazeres. Protecção e contas. Quem ouvir e concordar com o discurso, quem ouvir e concordar com a razão dos diálogos das matérias de interesse parlamentadas no melhor interesse, no interesse comum, no acordo, no agrado de todas as partes envolvidas e protagonistas da acção e do julgamento, quem ouvir o poder da democracia, saberá:


Querem agarrar, prender a democracia e o poder da democracia a uns partidos políticos Esses partidos políticos pretendem ser fundações do próprio sistema democrático, a base do poder da democracia. E como funcionam esses partidos, o que são afinal esses partidos? Ideologias. Querem agarrar, prender os cidadãos ao poder das ideologias dos partidos políticos


As ideologias, por mais que tentem negar, aldrabar o seu conceito, a sua definição, são razões dogmáticas O conjunto dessas razões ideológicas formam uma corrente de pensamento, uma filosofia, mas a sua estreita finesse é precipitada no âmbito das economias, que deve ser só uma.




Tudo recai num ápice para a monoteísta economia, economia de filosofia. É na filosofia que estas ideologias revelam a sua estranheza e imperceptibilidade histórica, uma vez que a conversa é sistematicamente arrastada para o monótono politicamente correcto, a ultima forma de censura que pretende não ser censura, apenas arte de bem-dizer o que os outros preferem ouvir em vez do que eu, tu, nós preferimos pretender dizer e falar.


Tudo cai num instante para paródia de uma comédia que se constrói sem imaginação, encanto, vivacidade. O consentimento da própria traição, dita em puro tom de hipocrisia, é o sinal da completa estupidez. Os olhares de cupidez e luxúria invadem os pensamentos de terror e desdém, algo é adicionado ao contexto dos pobres fabricados, é chamamento do prazer, que se junta automaticamente ao prazer do lazer, ou o lazer de repente torna-se sinónimo de prazer, de um modo indelével e inapreensivel tacto de pensar.


A queda é para a economia. Os partidos só falam da economia. A política é a filosofia da economia e da crise e do milagre económico Entretanto dois lados batalham pelo Estado. Um lado quer o estado para uma coisa, a outra parte quer o estado para transformar noutro sentido. O estado é o elemento central de tudo o que o político representa enquanto defesa ou justificação do seu papel na política.


Pois se a política é economia, os políticos existem para a economia. E o Estado é a casa dos partidos políticos, o Estado é a casa dos políticos, é para isso que o cidadão elege acima de todos os regimes políticos de poder, sem dúvida alguma dizem as sondagens, ou talvez apenas e só o actual senso comum, uma daquelas coisas que se dirá como antes se dizia graças a deus, coisas deste estilo, mas, voltando à vaca fria, elege a democracia como o melhor dos piores sistemas político.


A escolha das palavras não é aleatória, vai existindo um programa que se revela a cada passo da vida individual e colectiva, a comunicação é o melhor exemplo que os nossos contemporâneos têm para oferecer como prova, a prova, essa coisa tão cientificamente provada.


O socialismo e o capitalismo. A social-democracia e o socialismo democrático Temos de procurar na história a evolução e a revolução dos acontecimentos e as suas consequências, movimentos, flutuações, transformações e criações e destruição de espaços novos e continuados, uma direita e uma esquerda, no fundo, é tudo social-democracia.


Vamos lá a saber se os portugueses já sabem ler e fazer cruzes. O FMI invade o governo da república do partido socialista com Sócrates à cabeça, primeiro-ministro, convoca os portugueses para informar que chamou o FMI porque o Estado não tem dinheiro para mandar cantar um ceguinho.


O FMI alinha no jogo dos travestis, de pura hipocrisia em que vive o povo português, e lança um programa político para financiar a divida dos grandes motores da economia portuguesa. Os grandes motores aceleram propagandas de fora de serie e na verdade não passam de valentes caloteiros. Mas o calote é sempre passado para outro infeliz, que se verga a bem ou a mal sob a batuta do explorador, seja este credor ou devedor. São as duas faces da mesma moeda, o resto é história. E a história é rica em prodigalidades inúmeras, assim como a inevitabilidade do seu contrario, é o ideário no seu momento frutífero


Os partidos do arco da governação assinaram todos o memorando de entendimento, o contrato-promessa do dinheiro, a possibilidade histórica do credito e da divida. Esta escolha causa a realização de medidas económicas, e a vida dos portugueses é fortemente visada.


Será que sabem ler? Pois votaram em maioria no partido que mais e melhor levará a bom porto a execução do plano político que predestina a esse tipo de medidas o caminho do partido social democrata. Sacrificar o Estado, sacrificar este Estado por um Estado melhor. Certamente diferente, isso parece que é óbvio e bem aceite como óbvio, logo para além de refutação logo pela anulação da hipótese…




Estas banalidades de base, como de acertarem em como o PSD é mais apropriado para governar este programa, bem entendido pelos vistos pelos portugueses. De que se poderão depois queixar? Seria contra-senso, e já se sabe que o bom senso impera por aquelas bandas.


Ainda assim, considerando as percentagens de voto efectivo, descontando a filiação de carácter partidária, dogmas, ortodoxias e heresias, as mais e maiores disparidades em torno da questão do sentido de voto, o seu significado mais pessoal, reflexivo, intelectual, intuitivo, etc.. fazendo um apanhado das percentagens de voto, poder-se-á dizer que a esmagadora maioria votou na aprovação e legitimação do memorando de entendimento. Então do que se queixam?




Vamos ensinar os portugueses a trabalhar, o que significa trabalhar.


Mais trabalho, menor rendimento. Cala e não bufa, que os políticos só estão a governar em teu nome, isto são coisas da Troika, FMI para outros, mas para ti, tu não queres saber, só te interessa saber que esse desnível na contabilidade é desvio para pagar a divida que aceitas pagar pelo bom nome dos políticos, ou do Estado, para ti é igual, se não percebes é indiferente, caso contrario estarias indignado.


Mas porquê? Estavas à espera que os políticos não cumprissem a sua palavra quando assinaram por baixo o memorando de entendimento que quer dizer corte da força vital do povo português, da democracia e do poder da democracia dos cidadãos….




O fim da catástrofe, hoje, não terá um final de incentivo à revolta contra a submissão ao poder da força de uma potência económica externa. A receita, em democracia, a receita em democracia, a depender de uma fonte externa, não será certamente aplicada numa potência independente. ….


Todavia, esse acordo europeu traduz-se numa forma surpreendente: o seu cariz democrático é sedutoramente bem fazejo: o que se consegue de uma penada é extraordinário: desresponsabilização dos políticos responsáveis pela crise de soberania, legitimação da classe governante para destruir o bem-estar de uma nação, confusão da causa com a consequência: o que fiz eu para merecer esta politica económica? Para que serve esta politica económica?




Chegam a dizer que não pode haver um sem o outro, capitalismo e socialismo andam de mãos dadas, coexistem como as estações do ano, o que hoje fica mau amanhã fica melhor com o partido socialista…. O PSD é só para por as contas em ordem, piorar a vida em geral, quando só uns poucos melhoram substancialmente a sua condição de vida económica e financeira...


O PS redistribui um pouco melhor a riqueza. Mas que riqueza afinal, que riqueza é esta de que se trata? O governo vai taxar mais os mais ricos para aliviar a carga fiscal dos mais pobres…


Assim vai a politica nacional, que por agora esguelha-se para a politica mundial, não é por acaso que se encontra presa nas suas malhas, mas o plano continua a iludir as mentes de grande parte dos portugueses. Ou se sabem têm uma maneira muito especial de demonstrar esse conhecimento…


Assim vai o poder da democracia portuguesa…

A Cura

A Cura

Grita enquanto a noite cai,
Sorri nos teus momentos de miséria...
Conta-me apenas uma história,
Talvez uma mentira sonhada,
Deixa-me cair...

Acorda-me no vento, assopra-me ao ouvido
Brilha num sorriso, e canta uma melodia
Deixa-me segurar o teu coração foragido
Ri-te...porque me alimentas de fantasia?

És uma peça de teatro por realizar,
Cheia de demónios por derrotar...
Deixa-me ser o herói da tua história,
Eu os expulsarei sempre da tua memória.

Despe para mim o capitulo dos teus desejos,
Que eu construirei um mundo só teu,
Reluzente, perfeito, belo...obscuro,
Ri-te...porque não és tu sem eles?

Visto-te de verde invejando a tua imprevisibilidade,
...Acorda-me e contrasta o nascer do dia com um grunhido...

Para onde vais Europa?

Por toda esta Europa governos de direita ascendem ao poder político. A receita é global e comum a todos os estados membros. Austeridade e mais austeridade. A saída para esta crise, dizem os apologistas do fatalismo capitalista e da submissão aos ditos "mercados", passa por constranger ao máximo o consumo publico e privado, pelo aumento dos impostos e pelo corte dos salários e subsídios associados, assim como uma redução drástica e catastrófica do chamado estado social, ou seja, uma redução drástica e catastrófica dos direitos constitucionais dos cidadãos e contribuintes.


O direito à saúde, o direito à educação, o direito à justiça, o direito à segurança e dignidade humana é hoje atingido por sucessivos golpes dos sucessivos governos contra a ideia de Estado que a constituição da república saída da revolução de Abril invoca e garante.


Em boa verdade, é todo um modelo civilizacional que está em perigo, que se encontra ameaçado por estes governos de direita em nome da luta contra a crise, uma crise financeira promovida pela corrupção e cumplicidade entre o poder governativo e o poder financeiro.


A panaceia prescrita por todos os governos europeus passa pela contracção da procura interna e pela aposta das exportações. Ora não será necessário ser um génio para perceber que essa receita está condenada ao fracasso: se todos querem vender e ninguém quer comprar, o que se consegue com determinada politica? O colapso das economias mais pequenas, assim como o colapso da soberania dos países dessas economias. No limite das catástrofes inevitáveis que se seguem sob a batuta desta política, esses países apenas estarão mais endividados e mais deficitários de autonomia económica, a sua dependência para com o exterior será tanto mais evidente e inevitável quanto maior e mais efectiva for a sua subordinação governativa aos ditâmes dos interesses políticos externos.


É triste dizer isto, mas a verdade é que todos estes sacrifícios que se estão a pedir e a exigir aos portugueses não vão diminuir um cêntimo sequer a sua dívida soberana, muito pelo contrario, essa dívida continuará a aumentar a cada dia que passa. A verdade é que os juros que estão associados a essa dívida são suficientes para a prolongar indefinidamente no tempo, fornecendo assim lucro infinito a esses credores especialistas em jogar aos dados com a economia, pouco ou nada lhes importa o sucesso e desenvolvimento do bem-estar social, o seu interesse é único e exclusivo, lucrar com tudo o que mexe, nem que para isso seja necessário acabar com a existência de algo positivo.


Este caminho é inaceitável, e quanto mais cedo os povos europeus se elevarem para acabar com esta política que destrói a comunidade europeia mais rapidamente poderá voltar a constitui-se como uma entidade que preza, orgulha e honra os valores e direitos do ser humano, uma entidade que compreende a economia como aquilo que deve ser, uma ciência que está ao serviço do direito ao trabalho, onde o trabalho constitui a base da vida social.


É toda uma revolução que nos espera, a revolução da compreensão económica. O modo como os espaços económicos devem funcionar e como funcionam hoje em dia são completamente incompatíveis. O sucesso duma empresa não pode estar dependente do capricho de apostadores com capital suficiente para influenciar os destinos dessa empresa. Em boa verdade é a própria actividade bolsista que é incompatível com os interesses do cidadão e trabalhador comum. A liberdade de especulação financeira é incomportável com a ideia de uma economia de carácter sustentável.


Estes antagonismos de base estão na origem das sucessivas crises que temos conhecido no decorrer da vigência do modelo económico capitalista. A solução para esta crise mundial e a salvação para a comunidade económica europeia só pode passar pela reforma do sistema económico capitalista, acabando com as liberdades que conduzem os estados e os povos a estas crises financeiras.


O tempo de agir é agora. O tempo de lutar pela liberdade civil, pela autonomia dos povos, pela soberania dos estados, pelos direitos do ser humano, pelos direitos dos trabalhadores, pela liberdade económica, pela liberdade de expressão, sim, pela liberdade de expressão, já que os chamados media encontram-se orientados no sentido de um certo discurso politico e económico, desprezando as alternativas e o direito ao contraditório, para não falar no lixo diário da sua programação, a liberdade de educação, libertar os alunos deste modelo educativo que embrutece os cidadãos para a cultura assim como promove a estupidificação mediante uma aprendizagem obrigatória da estupidez.


Lutar por um estado ao serviço dos interesses do seu povo. Os impostos dos contribuintes devem reverter para o benefício de todos os cidadãos, e não como hoje acontece: estão ao serviço de interesses privados, autênticos crimes lesa-pátria, negociatas influenciadas pela corrupção, e desprezo pelo interesse do colectivo.


Muito está mal e muito deve mudar. Para isso é necessário o constante escrutínio popular sobre o poder político: o tempo dos depósitos de fé nos eleitos acabou, assim como acabou o tempo da fé nos depósitos bancários. Não podemos perder de vista o que é nosso, não podemos, não devemos nem queremos. Aqui e agora começa a nossa revolução, a revolução pelo direito à nossa existência, com tudo o que isso significa: estamos aqui para o bem e para o mal, estamos aqui e agora: e enquanto aqui estivermos isto vai ser à nossa maneira.

Facciosismo Mediático

Ouvir o Marcelo Rebelo de Sousa é de facto uma obrigação, pelo simples facto de ser um momento exemplar de como um país, neste caso Portugal, pode chegar á situação que vivemos.


Sobre a greve nem uma palavra. A desvalorização foi total e absoluta. Os objectivos, as propostas, as vontades de mudança não interessam para nada: o povo não pertence á equação da politica em democracia...

Sobre a banca, o seu numero é por demais comico: o facciocismo com que as matérias e as responsabilidades financeiras são abordadas neste contexto  de crise financeira é de bradar aos céus.

A cara de pau com que apelida de boa noticia aquela que dita que a banca portuguesa soma uma divida total de contabilidade irrealistica, uma contabilidade totalmente desapegada da realidade, cujos negocios são completamente ficticios, totalmente inventados para capacitar a margem de lucro dos accionistas, soma essa que nas palavras de Marcelo é só, é apenas, coisa pouca, algo de somenos, uns miseros mil milhões de euros....

Mil Milhões de Euros de fraude bancária, isso não interessa para nada, é aliás uma boa noticia, porque julgava-se que essa quantia era ainda maior....

Este é o mundo que nos rodeia, um mundo de impunidade e recompensa financeira á fraude e evasão fiscal do grande sector financeiro, financiado justamente pelos contribuintes do Estado garante deste tipo de mundo...

A interrogação que vos deixo é esta: aceitam voces continuar a pactuar com esta forma de vida?