Comentário á polémica de Saramago

Recebi finalmente o teste de português, e suspirei de alivio quando os meus receios não se confirmaram.
A composição foi de facto o melhor do teste e teve em baixo o comentário "Muito bem!" com uma nota em baixo pedindo-me que passasse o texto a computador com as correcções propostas e para que enviasse á professora por e-mail para divulgar nas salas de aula, conforme o é hábito desta professora em relação aos melhores textos (segundo a própria me disse).
Sem piedade para com o tal deputado Mário David, e sem ter como recusar o pedido, aceitei.
Aqui vai o texto (comentário a uma notícia) publicado como prometido, e com a vantagem de vos estar a mostrar primeiro do que aos alunos da minha escola:

" O eurodeputado social-democrata Mário David exortou hoje o escritor José Saramago a renunciar à cidadania portuguesa por se sentir 'envergonhado' com as recentes declarações do Nobel da Literatura sobre a Bíblia".

(noticia do DN.sapo.pt)

Num texto bem estruturado (...) redija um texto de reflexão sobre a liberdade de expressão, decorrente da frase que se segue. (...)

A frase do deputado social-democrata Mário David demonstra uma enorme intolerância para com a liberdade de expressão, forçando o escritor José Saramago a sentir-se moralmente culpado por expressar os seus pontos de vista em relação a Deus e à Bíblia.
Para o deputado, um português que se preze tem de ter a religião na qual ele foi educado e que tristemente vem defender publicamente, não se contentando já com a censura a que um dos livros do mesmo escritor, premiado com a mais alta distinção literária (prémio Nobel) esteve sujeito em Portugal aquando da sua publicação.
Não seria aliás, de todo intolerante que agora José Saramago exortasse o deputado, não a renunciar à nacionalidade portuguesa, mas sim ao seu cargo público, por não estar a representar com dignidade o povo português, a partir do momento em que lança o seu espírito inquisitorial sobre o escritor, que é, ao contrário deste reles deputado, um grande orgulho nacional.
Não se deve, independentemente da influência que se tem, perseguir ou influenciar as convicções religiosas das pessoas, pois é contra a democracia, que os governantes democraticamente eleitos têm o dever de defender.
E se José Saramago (que até esteve nas listas do PCP para o Parlamento Europeu) tivesse sido o deputado eleito e Mário David o escritor (se tivesse intelecto suficiente para tal)? O princípio era o mesmo, mas o deputado certamente iria reclamar. Porquê? Porque ao contrário do que era de se lhe exigir, este deputado não compreende o significado da expressão "liberdade de expressão".

1 comentários:

Yatha disse...

"deste reles deputado", "se tivesse intelecto suficiente para tal" -> Dá-lhe Space_Aye!!!! xD