Durante o debate do Estado da Nação, na Assembleia da República, o ministro da economia, Manuel Pinho, fez um gesto insultuoso para as bancadas do PCP e BE, exibindo uns "cornos" durante a intervenção do deputado Francisco Louçã, que falava nos trabalhadores das minas de Aljustrel.
Este acto inadmissível vindo de um ministro, e próprio de quem está desesperado com a falta de argumentos e com o stress de governante á beira das eleições, resultou na demissão de Manuel Pinho.
Já não a primeira vez que um ministro de Sócrates é obrigado a demitir-se por causa de uma gaffe. E sendo Manuel Pinho um independente e não um político profissional, é relativamente compreensível, embora não admissível, que tal tenha acabado por lhe acontecer, especialmente numa altura destas, tão difícil para o governo.
Não interessa aliás, como das outras vezes também não interessava, se foi o próprio que se demitiu ou se foi Sócrates, nem quem sugeriu o quê, pois nunca se saberá por certo a verdade. Mas é de lembrar que Manuel Pinho só saiu do governo porque estamos perto das eleições legislativas, e porque o PS perdeu claramente nas europeias á coisa de um mês. É que o governo teme as acusações de arrogância ou falta de educação e respeito pelos deputados eleitos pelos portugueses, procurando até um pouco mudar a imagem, como provou Sócrates com o seu ar de mosca morta na sua última e recente entrevista.
A meu ver, a demissão foi melhor decisão. Não só pelo que fez hoje mas também porque pelo seu trabalho como ministro, não deixará certamente saudades.
Resta saber quem será o próximo ministro das finanças, pois o actual, Teixeira dos Santos, já foi apontado por Sócrates como substituto de Manuel Pinho na economia.
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