
Agora que tenho mais informações sobre o assunto vou mais fundo da questão.
Primeiro que tudo, tenho que condenar o golpe de Estado levado a cabo pelos militares, liderados pelo agora (e sempre inconstitucional) presidente das Honduras, Roberto Micheletti que demitiu o presidente eleito pelo povo, Manuel Zelaya.
Zelaya limitou-se a preparar a realização de uma consulta popular (referendo) que apesar de ter sido considerada pelos tribunais uma consulta ilegal, poderia ser feita pelo presidente eleito, que dispunha de poder para tal.
Micheletti, que pertencia ao mesmo partido que Zelaya, o Partido Liberal das Honduras, era o presidente do Senado da República, e um dos que discordava da legalidade do referendo. É também empresário da área dos transportes públicos.
O referendo de Zelaya pretendia, creio eu, provavelmente algo semelhante ao que tornou Chavez um presidente que pode ser reeleito por mais do que dois mandatos, embora sempre por eleições democráticas, mas Zelaya foi detido mesmo antes de o referendos e realizar.
Nas Honduras o limite de mandatos que uma pessoa pode ter é de um (4 anos), mas na maioria dos países esse limite são dois mandatos, algo que me parece ser mais justificado, especialmente para país relativamente instável como os da América Central e do Sul.
Zelaya está agora exilado na Costa Rica e ameaça voltar ainda esta semana, acompanhado por várias figuras políticas entre as quais a presidente do Chile, Michelle Bachelet.
Se voltar, o presidente das Honduras arrisca-se a uma pesada pena de prisão. Micheletti, já o avisou e afirma que não vai recuar em nada. Se o quiserem derrubar, diz Micheletti, terão de invadir as Honduras, algo para o qual ele já está preparado, com um exército de vários milhões de homens pronto para agir.
O golpe de estado já foi condenado pela Comunidade Internacional e pelas Nações Unidas e Micheletti ainda não foi reconhecido por nenhum chefe de Estado.
Não concordo muito com isso do mandato ilimitado, porque defendo a transparência e sou até bastante rígido no que toca á limitação, defendo mesmo que a haja no poder local, mas não acho que isto seja motivo para demitir o presidente. Ele queria saber se os hondurenhos concordavam com a alteração da Constituição nesse sentido, mas foi derrubado mesmo antes de realizar o referendo.
Em democracias recentes e com as instituições ainda pouco consolidadas, acontecem frequentemente estas crises políticas. Por isso é importante a comunidade internacional intervir no sentido de desencorajar aqueles que atentam á democracia.
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